Prejuízo dos Correios cai 5,5% no 2º trimestre, mas desafios persistem
Prejuízo dos Correios recua para R$ 2,39 bilhões no 2º trimestre, mas desafios de sustentabilidade e reestruturação continuam.
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Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma redução de 5,5% em relação ao resultado negativo de R$ 2,53 bilhões no mesmo período de 2025. A queda no prejuízo foi anunciada com a divulgação das demonstrações financeiras da estatal, divulgadas neste sábado (29), e reflete uma melhora na gestão da empresa, que está em processo de reestruturação financeira e operacional. Apesar disso, o desafio de recuperar a sustentabilidade da empresa permanece relevante, especialmente diante das operações de crédito com garantia da União e da exposição do Tesouro Nacional caso os Correios não consigam honrar suas obrigações.
Reestruturação e medidas já implementadas
Os Correios estão em um processo de reestruturação financeira e operacional, que inclui a reorganização do endividamento e a redução de custos. No ano passado, a empresa contratou R$ 12 bilhões em empréstimos com garantia da União, junto a um sindicato formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. A concessão da garantia foi condicionada à implementação de um plano de reestruturação para recuperar a sustentabilidade financeira da compania. Neste ano, os Correios preveem contratar outros R$ 7 bilhões, também com garantia da União, em uma operação estruturada por um consórcio de bancos privados internacionais. Além disso, a empresa negocia R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do Brics, para financiar seu programa de modernização. O governo também deverá prever no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 um aporte de pelo menos R$ 6 bilhões na estatal. A capitalização é uma das cláusulas do contrato do empréstimo de R$ 12 bilhões e foi incluída como forma de sinalizar aos bancos o compromisso do governo com a recuperação financeira dos Correios.
Resultados parciais e desafios persistentes
Apesar do prejuízo, a estatal avalia que o plano de reestruturação está sendo cumprido e que os resultados das medidas adotadas estão em linha com o inicialmente projetado. A compania reconhece, porém, que os desafios continuam sendo de reduzir despesas de forma contínua, manter a melhora na qualidade dos serviços, avançar em mercados pouco explorados e elevar sua capacidade tecnológica e competitividade. O Tribunal de Contas da União (TCU), que acompanha a execução do plano, já fez ressalvas às estimativas que sustentam a estratégia do plano de recuperação.
Na comparação com as metas internas, o Ebitda — indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — ficou R$ 910 milhões, ou 18%, melhor que o previsto, e as despesas totais do semestre ficaram R$ 302 milhões abaixo do orçado. Entre o primeiro e o segundo trimestres, o resultado operacional melhorou aproximadamente 25% e o fluxo de caixa operacional apresentou evolução de R$ 852 milhões. De acordo com o balanço, a receita líquida de vendas e serviços atingiu R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre, ante R$ 8,1 bilhões no mesmo período de 2025.
Reforma do financiamento e novas alternativas
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o governo estuda rever o financiamento da universalização dos serviços postais, cujo custo é estimado em R$ 4 bilhões por ano. Uma das alternativas é criar um fundo abastecido por contribuições de empresas privadas do setor. Entre as medidas já executadas no plano de reestruturação, obtidas pelo Valor, está a reorganização do endividamento. Com a operação de R$ 12 bilhões, os Correios quitaram antecipadamente, em janeiro, um empréstimo de R$ 1,8 bilhão e alongaram o prazo da dívida de 18 para 180 meses, com três anos de carência, com custo efetivo da taxa DI + 1,89%.
O saldo dos empréstimos caiu de R$ 14 bilhões para R$ 12,9 bilhões, e a companhia encerrou o semestre sem financiamentos com vencimento no curto prazo. O caixa e aplicações financeiras somavam R$ 4,9 bilhões em 30 de junho. Os custos dos serviços, por sua vez, ficaram R$ 1,3 bilhão abaixo do orçado, somando R$ 7,6 bilhões. O custo de pessoal recuou cerca de 4%, mesmo com reajuste salarial de 5,1%, movimento que a companhia atribui ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), que já resultou no desligamento de 6.545 empregados, sendo 2.767 apenas neste semestre.
